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1/13/2026

Maranhão: a fronteira estratégica que redesenha o futuro do Brasil

 


ElsonMAraujo

Do ponto de vista econômico, o Maranhão já ocupou lugar de destaque no cenário nacional. Celso Furtado, em sua obra clássica Formação Econômica do Brasil (1959), registra esse protagonismo ao analisar, com precisão quase cirúrgica, os grandes ciclos econômicos do País açúcar, gado, ouro e café. Trata-se de leitura obrigatória para quem deseja compreender não apenas a história econômica brasileira, mas também as oscilações e permanências deste que se pode chamar de “sagrado chão brasileiro”.

Com o passar dos anos, o Maranhão pode até ter perdido densidade econômica relativa, mas não perdeu aquilo que, no jogo das nações, costuma ser decisivo: posição estratégica e capacidade de reação. Essa capacidade, hoje, ganha novo fôlego sob a gestão do governador Carlos Orleans Brandão. Os números recentes indicam uma inflexão clara: o Estado volta a caminhar na direção de recuperar posições historicamente perdidas.

De forma gradual, e com políticas públicas bem calibradas, o Maranhão consolida-se como peça central no tabuleiro da logística nacional, da transição energética e da nova geopolítica do Atlântico Sul. Enquanto o Brasil discute seu futuro político mirando as eleições de 2026, um Estado antes tratado como periférico afirma-se, silenciosamente, como um dos ativos geopolíticos mais relevantes do País.

O Maranhão já não é apenas uma fronteira agrícola ou mineral. Transformou-se em hub estratégico multimodal, janela atlântica para o comércio internacional, plataforma espacial e laboratório da economia verde. Não se trata de ufanismo regional de um apaixonado por essa terra. Os fatos, observados com atenção, mostram que a trajetória maranhense nos próximos anos terá influência direta na competitividade brasileira no cenário global.

Localizado na confluência entre o Norte e o Nordeste, o Maranhão abriga a saída marítima mais curta do Brasil para os mercados da Europa, da América do Norte e para as rotas que passam pelo Canal do Panamá. Essa condição singular o transforma em pilar do chamado “Arco Norte”, estratégia logística que redefine os fluxos de exportação do País.

Nesse contexto, o Porto do Itaqui  como costuma destacar o ex-senador Roberto Rocha  é mais do que um terminal portuário: é um ativo soberano. Um dos portos de águas profundas mais produtivos do mundo, opera em duas frentes estratégicas fundamentais. De um lado, escoa o minério de ferro da Vale, via Estrada de Ferro Carajás; de outro, funciona como válvula de escape da produção agrícola do MATOPIBA, região que hoje figura entre os principais celeiros do planeta.

A integração multimodal amplia ainda mais esse potencial. A conexão entre a Ferrovia de Carajás e a Ferrovia Norte-Sul cria um corredor logístico sem paralelos no Brasil. Não apenas acelera o escoamento de commodities, como também atrai investimentos industriais em busca de eficiência logística, transformando o Maranhão em polo de atração de novos projetos produtivos.

No campo da soberania tecnológica, o Estado abriga outro ativo estratégico de alcance global: o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Sua proximidade com a Linha do Equador oferece uma economia de até 30% no consumo de combustível dos foguetes  vantagem competitiva decisiva no mercado internacional de lançamentos espaciais.

Com a assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com os Estados Unidos, o potencial comercial da base foi finalmente destravado. O Maranhão passa a se posicionar como plataforma para o lançamento de constelações de satélites de baixa órbita, infraestrutura essencial para comunicações 5G e 6G, agricultura de precisão, monitoramento climático e defesa nacional.

Paralelamente, o Estado navega uma transição econômica audaciosa. Mantém sua força nas commodities tradicionais, mas projeta-se como protagonista da economia de baixo carbono. Temas ainda pouco compreendidos pela maioria da população  e, por isso mesmo, pouco debatidos ,  ganharão centralidade nos próximos anos, como o hidrogênio verde.

Projetos em estudo buscam transformar o complexo portuário de São Luís em hub de exportação de H2V para a Europa. O Maranhão reúne condições naturais raras: potencial eólico e solar costeiro abundante, capaz de fornecer energia renovável barata, matéria-prima essencial para esse combustível do futuro.

Some-se a isso a segurança energética proporcionada pela Bacia do Parnaíba,  a segunda maior bacia hidrográfica do Nordeste, abrangendo Maranhão, Piauí e Ceará. A exploração de gás natural na região garante estabilidade à matriz energética e atrai indústrias intensivas em energia, criando um círculo virtuoso entre recursos naturais e desenvolvimento industrial.

No plano político-administrativo, sob a condução do governador Carlos Brandão, o Maranhão busca um equilíbrio delicado, porém necessário: manter alinhamento institucional com o governo federal, sem abrir mão da segurança jurídica e da infraestrutura exigidas por setores estratégicos como o agronegócio e a mineração.

Talvez aí resida o maior desafio da atual gestão: superar o paradoxo do crescimento. Como transformar o vigor do PIB , impulsionado por portos, ferrovias e commodities ,  em ganhos concretos no IDH e na renda per capita da população, ainda entre as mais baixas do País? A resposta a essa pergunta definirá não apenas a estabilidade social de longo prazo, mas também a atratividade do Estado sob os critérios globais de governança ambiental, social e corporativa.

Estudiosos do desenvolvimento econômico são categóricos: o Maranhão é hoje uma fronteira estratégica de infraestrutura, cuja relevância extrapola seus limites territoriais, tanto no curto quanto no longo prazo.

No horizonte imediato, até 2026, espera-se a intensificação da modernização do Porto do Itaqui e a celebração dos primeiros grandes contratos comerciais para o Centro de Lançamento de Alcântara. No campo político, o Estado será palco decisivo do debate eleitoral, onde o modelo de desenvolvimento em curso será confrontado nas urnas.

No longo prazo, o Maranhão tem potencial para tornar-se nó vital da cadeia global de suprimentos descarbonizada, conectando a produção agro sustentável do interior à exportação de energia verde pelo litoral. O êxito dessa travessia dependerá de uma governança tripla: eficiência logística, inovação energética e inclusão social.

O Maranhão que emerge desse processo já não aceita o papel de coadjuvante. Caminha para se tornar formador ativo do destino brasileiro no século XXI. E o governador Carlos Brandão tem plena consciência dessa responsabilidade histórica.


1/12/2026

O Novo Código Civil e as Transformações do Direito Brasileiro

 


ElsonMAraujo 

O ano de 2026 desponta como um marco histórico para o Direito Civil brasileiro. Encontra-se em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 4/2025, que materializa o anteprojeto de reforma do Código Civil, propondo a mais profunda atualização legislativa desde a promulgação da Lei nº 10.406/2002.

O objetivo central da reforma é claro: adequar o Direito Civil às transformações sociais, familiares, tecnológicas e culturais do século XXI, conferindo maior efetividade, segurança jurídica e coerência normativa ao sistema.

A seguir, destacam-se as mudanças mais relevantes atualmente em debate, com previsão de votação no primeiro semestre de 2026.

1. Direito das Famílias e das Sucessões: pluralidade, autonomia e desjudicialização

O novo Código Civil avança de forma significativa ao reconhecer que a família contemporânea não se limita a modelos tradicionais.

 Reconhecimento expresso da união homoafetiva

Embora já consolidada pela jurisprudência do STF e do STJ, a união homoafetiva passa a ter previsão legal expressa, garantindo proteção jurídica plena e afastando definitivamente qualquer margem de discriminação normativa.

 Divórcio unilateral extrajudicial

Uma das mudanças mais impactantes é a introdução do divórcio unilateral, permitindo que um dos cônjuges requeira a dissolução do vínculo diretamente em cartório, independentemente da concordância da outra parte, reforçando a autonomia privada e a desjudicialização das relações familiares.

Multiparentalidade

O anteprojeto regula de forma clara o reconhecimento de vínculos socioafetivos, permitindo que uma pessoa possua mais de um pai ou mãe em seu registro civil, alinhando a lei à realidade social já reconhecida pelos tribunais.

 Mudanças no direito sucessório

Propõe-se flexibilizar a posição do cônjuge como herdeiro necessário em determinados regimes de bens, ampliando a liberdade do autor da herança para dispor de seu patrimônio, sem afastar a proteção mínima familiar.

2. Direito Digital: a codificação da vida virtual

Pela primeira vez, o Código Civil brasileiro dedica um livro específico ao Direito Digital, reconhecendo que a vida civil também se desenvolve no ambiente virtual.

Patrimônio digital

O texto disciplina a sucessão de contas em redes sociais, ativos digitais, milhas aéreas, criptoativos e senhas, trazendo segurança jurídica para herdeiros e plataformas.

 Direito à exclusão de dados

Avança-se na proteção da privacidade, estabelecendo regras mais claras para a remoção de dados e conteúdos pessoais, em sintonia com a LGPD.

Limites civis à inteligência artificial

O anteprojeto enfrenta temas sensíveis como o uso de IA, deepfakes e manipulações digitais, reforçando a tutela da personalidade e da dignidade humana no ambiente tecnológico.


3. Direito dos Animais: superação da lógica patrimonial

Uma mudança paradigmática ocorre no tratamento jurídico dos animais de estimação.

 Animais como seres sencientes

Os animais deixam de ser classificados como simples bens móveis e passam a ser reconhecidos como seres sencientes, capazes de sentir dor e sofrimento.

 Custódia e alimentos para pets

Cria-se base legal para decisões sobre guarda compartilhada e pensão alimentícia para animais, especialmente em casos de dissolução conjugal, refletindo uma realidade já enfrentada pelo Judiciário.

4. Personalidade, identidade e autonomia individual

O novo Código reforça a centralidade da dignidade da pessoa humana.

Direito à identidade

Facilita-se a alteração de nome e sobrenome diretamente em cartório, reduzindo burocracias e judicializações desnecessárias.

 Proteção contra violações virtuais

O texto amplia a tutela contra discursos de ódio, ataques à honra e à imagem no ambiente digital, reforçando a proteção da personalidade.

5. Contratos e Responsabilidade Civil: previsibilidade e boa-fé

Reforço da boa-fé objetiva

O anteprojeto fortalece os deveres de lealdade, cooperação e transparência, elevando o padrão ético das relações contratuais.

 Modernização dos danos morais

Busca-se maior previsibilidade e proporcionalidade na fixação de indenizações, reduzindo decisões arbitrárias e promovendo maior segurança jurídica.

Próximos passos legislativos

Até julho de 2026, o texto deverá passar por intensos debates no Senado Federal, seguindo posteriormente para a Câmara dos Deputados. O acompanhamento legislativo, por parte dos operadores do Direito e curiosos,  é essencial, pois emendas parlamentares podem alterar pontos sensíveis do projeto.

Caso aprovado, o novo Código Civil inaugurará uma nova etapa do Direito Privado brasileiro, marcada pela pluralidade, tecnologia, autonomia e efetividade.

Pelo que se depreende , a reforma do Código Civil não representa apenas uma atualização normativa, mas uma mudança de paradigma: um Direito Civil mais humano, mais tecnológico e mais próximo da realidade social.


1/07/2026

Quando o Direito vira arena e a Constituição entra em disputa


ElsonMAraujo 

O Brasil chega a 2026 com uma singularidade inquietante: não é a política que está judicializada apenas  é o próprio futuro do país que passou a ser decidido nos tribunais. Em ano eleitoral, sob tensão institucional permanente, o Direito deixou de ser instrumento de estabilidade para se transformar no principal campo de batalha do poder.

Não se trata de retórica alarmista. Trata-se de constatação.

Reformas estruturais avançam, sim. Mas avançam sob o ruído constante da judicialização, da insegurança regulatória e da disputa aberta entre Poderes. O resultado é um país que muda muito, decide pouco e litiga demais.

A reforma tributária: promessa de racionalidade, risco de frustração

A Emenda Constitucional nº 132 foi saudada como a grande virada do sistema tributário nacional. E, de fato, encerra um ciclo histórico. Mas a experiência brasileira ensina: o problema nunca foi apenas o texto constitucional, e sim a sua execução.

A transição de créditos, a definição da cesta básica nacional e os regimes especiais já se tornaram terreno fértil para disputas administrativas e judiciais. O risco é evidente: transformar a tão anunciada simplificação em uma nova indústria do contencioso.

Se isso ocorrer, a reforma não fracassará por falha conceitual, mas por incapacidade institucional de conter o litígio como método de governança.

O novo Código Civil e a tentação de legislar sobre o indizível

O projeto do novo Código Civil tenta responder a um mundo que mudou rápido demais. Patrimônio digital, vínculos afetivos plurais, responsabilidade em ambientes virtuais. Tudo legítimo. Tudo necessário.

Mas há um perigo silencioso: transferir ao texto legal aquilo que deveria ser amadurecido socialmente e estabilizado jurisprudencialmente. Código demais pode gerar liberdade de menos. Norma excessiva, em tempos líquidos, costuma envelhecer mal.

O Direito Civil precisa oferecer segurança, não ilusão de controle total.

Inteligência Artificial: o medo regulando antes da razão

A regulação da inteligência artificial revela um velho vício nacional: legislar sob o impacto do medo. O debate sobre sistemas de alto risco, responsabilidade civil e transparência algorítmica é legítimo, mas corre o risco de importar modelos estrangeiros sem a devida adaptação institucional.

Criar regras sem capacidade real de fiscalização é produzir norma simbólica , e norma simbólica enfraquece o Direito.

Marco temporal: quando a Constituição vira território em disputa

O embate entre STF e Congresso sobre a demarcação de terras indígenas não é apenas jurídico. É um choque direto sobre quem dá a última palavra constitucional no Brasil.

Leis aprovadas para contornar decisões da Corte não fortalecem a democracia; tensionam-na. Decisões judiciais sem diálogo institucional também não constroem estabilidade.

O resultado é um país suspenso, juridicamente instável, observado com cautela por parceiros internacionais e investidores.

Soberania digital: entre o silêncio das plataformas e o excesso do Estado

A atuação do STF e do TSE no ambiente digital, especialmente em ano eleitoral, é compreensível , mas não isenta de riscos. A ausência de marcos legais claros deslocou para o Judiciário um poder que deveria ser normativo, não casuístico.

A pergunta incômoda permanece: quem regula o regulador?

A democracia não sobrevive nem à captura privada do espaço público, nem ao controle estatal sem limites jurídicos bem definidos.

O que está em jogo

O Brasil de 2026 vive menos uma crise política e mais uma crise de desenho institucional. O excesso de judicialização não é sinal de maturidade democrática; é sintoma de um sistema que perdeu capacidade de produzir consensos mínimos.

A Constituição continua sendo o nosso pacto fundamental. Mas pactos só sobrevivem quando são respeitados, interpretados com responsabilidade e aplicados com parcimônia.

Se o Direito continuar sendo tratado como arma de disputa permanente, o país não colherá segurança jurídica, nem crescimento sustentável, nem estabilidade democrática.

2026 não será lembrado apenas pelas urnas.

Será lembrado como o ano em que o Brasil precisou decidir se o Direito ainda é solução  ou se passou a ser parte do problema

1/05/2026

Brasil em 2026: entre a tempestade geopolítica e a encruzilhada eleitoral

 

O Brasil desperta neste início de 2026 sob a sombra alongada de um fato que reordena o poder nas Américas: a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em território venezuelano. Não se trata apenas de um episódio regional. Trata-se de um divisor simbólico na forma como a força voltou a se impor sobre o Direito Internacional — e o Brasil, queira ou não, encontra-se no epicentro desse abalo.

Enquanto o governo Lula busca uma linha diplomática de equilíbrio na mais grave crise continental das últimas décadas, o país é simultaneamente projetado para o centro de um ano eleitoral marcado por polarização extrema. Instabilidade externa e fervor interno se combinam, testando como raras vezes a maturidade institucional, a estratégia internacional e a resiliência econômica brasileira.

Diplomacia no fio da navalha: soberania versus realpolitik

A postura brasileira diante da intervenção em Caracas exige precisão cirúrgica. No Conselho de Segurança da ONU, o Itamaraty reafirma princípios históricos: soberania nacional, não intervenção e solução pacífica de controvérsias. Condena-se o método — sem absolver o regime deposto. É uma posição coerente com a tradição diplomática brasileira, mas politicamente custosa.

No plano doméstico, a oposição explora a crise como ativo narrativo. Ressuscita-se o argumento de que a relação histórica do presidente Lula com Caracas teria colocado o Brasil em um campo diplomático vulnerável. O debate ultrapassa a política externa e toca um nervo sensível: a segurança nacional. Diante de uma operação militar rápida e cirúrgica na vizinhança, qual é, afinal, a real capacidade dissuasória do Brasil? A pergunta ecoa nos quartéis, nos editoriais e nos bastidores do Congresso.

Um ano eleitoral sob a sombra do mundo

O calendário político já está em marcha, e a crise venezuelana funciona como catalisador de discursos. O governo tenta ancorar sua narrativa em estabilidade econômica e agenda social: salário mínimo acima da inflação, programas como Pé-de-Meia e Gás do Povo, além de vitórias simbólicas no campo trabalhista, como o fim da escala 6x1 em setores estratégicos.

A oposição, por sua vez, aposta na retórica da insegurança. Soberania, fronteiras, alinhamentos internacionais e “fragilidade geopolítica” tornam-se palavras-chave. Busca-se colar o governo à imagem de uma esquerda regional em colapso. A polarização, longe de arrefecer, é alimentada pelo caos além-fronteiras.

Economia: cautela, nervosismo e sinais de fôlego interno

Os mercados reagem com sobriedade tensa. O dólar opera em patamar elevado, em torno de R$ 5,43, enquanto o Ibovespa oscila próximo aos 160 mil pontos. O receio é claro: contágio geopolítico sobre economias emergentes. Ainda assim, o quadro não é homogêneo.

A construção civil desponta como um dos vetores de crescimento em 2026, impulsionada por programas habitacionais e a retomada de obras públicas. É o retrato de uma aposta doméstica no crescimento como antídoto à instabilidade externa.

No plano global, eventos como a CES 2026 reacendem o debate sobre a economia do futuro: inteligência artificial, retorno real sobre investimentos em tecnologia e o possível estouro de bolhas especulativas. Esses fatores influenciarão diretamente o fluxo de capital de risco para startups brasileiras.

No campo energético, o Brasil ganha centralidade estratégica. Com a produção venezuelana em colapso, o país emerge como alternativa relevante no fornecimento de energia, especialmente para a China, seu principal parceiro comercial. Novas alianças, investimentos e pressões geopolíticas se avizinham.

O teste de 2026

O Brasil inicia seu ano decisivo navegando em águas agitadas. Três frentes definirão o sucesso  ou o fracasso  dessa travessia:

  • Diplomática, ao sustentar uma posição soberana e principista sem isolamento automático em um mundo fragmentado.

  • Política, ao conduzir uma eleição acirrada sem permitir que a agenda doméstica seja sequestrada por uma crise externa.

  • Econômica, ao provar que o mercado interno e políticas sociais podem amortecer choques globais.

Enquanto isso, as chuvas intensas no Rio de Janeiro e no Sul lembram que a emergência climática é um desafio permanente. Em contraste, o reconhecimento internacional do cinema brasileiro projeta um raro momento de soft power positivo.

2026 será o ano em que o Brasil precisará provar se suas instituições, sua economia e seu projeto de sociedade são suficientemente robustos para enfrentar, ao mesmo tempo, uma tempestade geopolítica e suas próprias divisões internas. O caminho escolhido agora definirá sua posição no mundo na próxima década.



1/04/2026

Quando o Direito Internacional falha, o multilateralismo sangra

 


ElsonMAraujo

A crise atual da ordem internacional não é apenas política ou militar. É, antes de tudo, jurídica. Quando grandes potências passam a relativizar normas fundamentais  como a soberania dos Estados e a proibição do uso da força o Direito Internacional deixa de funcionar como regra e passa a operar como justificativa posterior.

O episódio da captura de um chefe de Estado em exercício, sem autorização multilateral, evidencia esse deslocamento perigoso. O problema central não é o personagem envolvido, mas o precedente

Se cada potência decide, unilateralmente, quando o Direito se aplica, a norma deixa de ser universal.

É nesse ponto que o multilateralismo começa a falhar.

Instituições como a ONU, como aprendi  na faculdade com o professor Miguel Daladier Barros,  foram criadas para conter o poder pela regra, transformar força em consenso e conflito em mediação. Quando ações unilaterais se impõem e os organismos internacionais apenas reagem com notas, alertas e reuniões emergenciais, o multilateralismo não desaparece  esvazia-se. Continua existindo formalmente, mas perde capacidade real de decisão e contenção.

O Conselho de Segurança, paralisado pelo veto das próprias potências que violam as normas, torna-se símbolo dessa crise: um espaço de discursos previsíveis, incapaz de produzir efeitos concretos. O resultado é um sistema em que o Direito sobrevive na linguagem diplomática, mas não governa os fatos.

Os paralelos são evidentes. A Rússia invocou segurança estratégica para agir na Ucrânia. A China constrói a narrativa jurídica para enquadrar Taiwan como questão interna. Os Estados Unidos recorrem à lógica da justiça penal extraterritorial armada. Três justificativas distintas, um mesmo efeito: a seletividade da legalidade.

Diante disso, o Direito Internacional enfrenta uma encruzilhada clara: reforma ou irrelevância.

A reforma exigiria limites reais ao poder , revisão do funcionamento do Conselho de Segurança, fortalecimento de mecanismos jurisdicionais internacionais e consequências efetivas para violações graves, independentemente de quem as pratique. É o caminho mais difícil, porque exige que os fortes aceitem restrições.

A irrelevância é mais confortável. O Direito permanece nos tratados, nas salas de aula e nos discursos, mas deixa de orientar o comportamento dos Estados. Nesse cenário, a força substitui a regra, a exceção vira prática e o sistema passa a operar por precedentes de poder, não por normas.

O maior custo dessa erosão recai sobre Estados médios e pequenos, que perdem o único escudo de que dispõem: a previsibilidade jurídica. Quando o Direito não protege, a resposta é o rearmamento, os alinhamentos automáticos e o retorno às esferas de influência.

O risco, portanto, não é o fim formal do Direito Internacional, mas algo mais sutil e perigoso: um Direito seletivo, rígido para os fracos e flexível para os fortes.

E quando o multilateralismo vira cenário ,e não ator , o mundo deixa de ser governado por regras e passa a ser administrado por crises.

1/03/2026

Quando a força substitui a regra: a Captura de Maduro e o mundo que ela revela

 


ElsonMAraujo

A captura de Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos, em pleno território venezuelano, não é apenas um fato político de grandes proporções. É, sobretudo, um marco simbólico  e perigoso  da transformação silenciosa da ordem internacional. O que se viu na madrugada de 3 de janeiro de 2026 não foi apenas a queda de um governante autoritário, mas a consolidação de uma lógica na qual a força volta a se sobrepor à regra, e o poder militar passa a ditar os limites do direito.

Não se trata aqui de defender Maduro, seu regime ou suas práticas. A Venezuela sob seu comando foi palco de violações, colapso institucional e sofrimento social prolongado. O ponto central é outro: quem decide, como decide e até onde pode ir uma potência ao impor sua própria noção de justiça ao mundo.

A apreensão de um chefe de Estado em exercício, sem mediação multilateral, sem mandato internacional e por meio de ação militar direta, rompe um tabu que sobrevivia desde o fim da Guerra Fria. Não é extradição. Não é cooperação judicial. É captura. E capturas dessa natureza, historicamente, nunca produziram estabilidade duradoura  apenas ciclos mais profundos de desordem.

O discurso da “guerra ao narcoterrorismo” funciona, neste caso, como uma moldura conveniente para legitimar uma prática antiga: a aplicação extraterritorial da lei do mais forte. Ao fazê-lo, os Estados Unidos não apenas removem um adversário político, mas redefinem unilateralmente o conceito de soberania, convertendo-o em algo condicional, seletivo e subordinado aos interesses estratégicos de Washington.

As reações internacionais escancaram o novo tabuleiro. Rússia e China denunciam a violação da Carta da ONU não apenas por princípio jurídico, mas porque compreendem o precedente: hoje Caracas, amanhã qualquer capital que desafie a ordem imposta. A Europa hesita, presa entre alianças históricas e o desconforto moral com métodos que corroem o próprio sistema que afirma defender. A América Latina, mais uma vez, divide-se entre a memória do intervencionismo e a tentação de celebrar a queda de um inimigo ideológico.

Mas talvez o impacto mais profundo esteja no vácuo que se abre na própria Venezuela. Derrubar  ou capturar  um líder não equivale a construir instituições. Sem uma transição interna legítima, o risco não é a democracia florescer, mas o país fragmentar-se entre forças armadas divididas, milícias políticas e interesses criminosos. A história recente do Oriente Médio deveria servir de advertência suficiente.

Há ainda o fator que raramente é dito em voz alta: o petróleo. A Venezuela não é apenas um Estado em crise; é um território estratégico com as maiores reservas comprovadas do planeta. A promessa de reabertura do setor energético a empresas norte-americanas revela que, por trás do discurso moral, o cálculo geoeconômico permanece central. E onde petróleo e poder se encontram, a estabilidade costuma ser a primeira vítima.

O mundo que emerge desse episódio é menos previsível e mais inseguro. Ao normalizar a intervenção militar direta como instrumento de justiça penal, abre-se um precedente que poderá ser invocado por outras potências, em outros contextos, com outras justificativas. Se todos passarem a agir assim, o que restará da ordem internacional além da força bruta?

Talvez 3 de janeiro de 2026 seja lembrado não apenas como o dia da captura de Maduro, mas como o momento em que a comunidade internacional cruzou uma linha invisível — aquela que separa um sistema imperfeito, mas baseado em regras, de um mundo onde o poder decide primeiro e o direito tenta explicar depois.

E esse, historicamente, nunca foi um bom sinal.

1/01/2026

PLANO DE SAÚDE- AUMENTO ABUSIVO- PROTEJA-SE


Seu plano de saúde aumentou acima da inflação?

A maioria das pessoas aceita o reajuste sem saber que, em muitos casos, ele é ilegal.

Preparei um checklist gratuito para ajudar qualquer pessoa a identificar, em minutos, se o reajuste pode ser abusivo — com base na lei e na jurisprudência.

 Material gratuito

Diga eu quero! envie para o email 

elson.mesquita@gmail.com 

que enviaremos o checklist


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